reflexão

por Izabela Souza*

“Eu reclamava de tudo.
Quando eu tinha tempo, ninguém tinha.
E eu reclamava.
Sem aceitar que, por mais doloroso que fosse, era parte da minha jornada passar um tempo sozinha, em contato comigo, refletir, aprender.

Então veio o tempo e o dinheiro.
Novamente, eu estava isolada.
De que adianta ter dinheiro e tempo e não ter onde se divertir?
Mas o que é se divertir? O que é preciso?
Então comecei a traçar as coisas que me faziam feliz e que eu fazia sozinha. De repente, os finais de semana sem viajar não pareceram mais tão entediantes.

Veio a hora de decidir entre ir embora e ficar.
Eu comecei a reclamar.
E, como querendo achar uma desculpa para manter este padrão vicioso na vida, quis atribuir isso à uma das qualidades de ser humana.
Mas também veio o sol, durante um primeiro inverno sem neve, meu inverno.
E não há nada mais humano que inventar desculpas para reclamar, mesmo quando todas as nossas vivências foram escolhas nossas.

Eu ainda reclamo.
Mas espero que você possa parar de segurar esta barra que é a insatisfação.
Você é uma pessoa plena e, como tal, não siga nenhum exemplo que não lhe caiba.
Não me sigam.
Ainda não sei para onde vou. ”

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.