deus ama, o homem mata

por Davis Plassa*

X-Men
Ano de criação: 1963
Criadores: Stan Lee (escritor) e o “Rei” Jack Kirby (desenhista)
Editora: Marvel
Nome da HQ: Deus Ama, o Homem Mata (1983)
Escritor e desenhista: Chris Claremont e Brent Anderson

A editora americana Marvel, minha favorita, sempre foi “engajada socialmente”. Desde que Stan Lee revolucionou os quadrinhos na década de 1960, com a criação de heróis e grupos que todos amam até os dias de hoje, sempre foram abordados temas considerados pesados, tabus, etc.

Em janeiro de 1983, na onda de criação de Graphic Novels, o escritor Chris Claremont, considerado o melhor escritor de X-Men por grande parte dos leitores, escreveu o sucesso “Deus Ama, o Homem Mata”.

A HQ conta a história de William Stryker, um reverendo televangelista em guerra contra os mutantes. Logo no início da HQ, duas crianças consideradas “mutunas” são mortas por um grupo anti-mutante chamado “Purificadores”. No decorrer da história descobrimos que esse grupo reponde ao reverendo Stryker, que por sua vez utiliza da imagem pública, da palavra de Deus e da bíblia para justificar a morte da raça impura que são os mutantes.

No final da HQ temos uma discussão entre os X-Men e o reverendo pela TV, onde cada lado demonstra um lado da moeda em perguntas como “por que sua fé vale mais do que a minha? ” e “o que supostamente somos é mais importante do que realmente somos?”.

Por tratar-se de uma HQ, talvez não seja tão levado a sério o assunto, mas o que o escritor tenta passar é a ideia que Stan Lee construiu já na década de 1960. Simplesmente porque somos diferentes um do outro, seja você gay, negro, judeu, etc., isso não significa que alguém é melhor do que o outro e nem diz quem você realmente é.

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Davis Plassa, 21 anos, futuro engenheiro, paulistano. Amante de Kung Fu, quadrinhos e futebol. Sonha em mudar o mundo.

doom patrol vol. 2 #21

por Davis Plassa

Patrulha do Destino
Ano de criação: 1963
Criadores: Arnold Drake, Bruno Premiani, Murray Boltinoff e Bob Haney
Editora: Vertigo (DC)
Nome da HQ: Doom Patrol Vol. 2 #21 (1989)
Escritor e desenhista: Grant Morrison e Richard Case

A Patrulha do Destino é um grupo de aberrações, marginais, párias e desajustados socialmente, que dedicam suas vidas a proteger uma sociedade que nunca os aceitará. Não, eles não são os X-Men. Sim, o líder deles também está em uma cadeira de rodas.

A formação nesta edição da Patrulha era composta por: Chief, o líder da equipe, Robotman, um homem que perdeu seu corpo e agora é um robô, Rebis, um hermafrodita, Crazy Jane, uma esquizofrênica, Dorothy Spinner, uma menina com cara de macaco, e Tempest, um negro (nesse caso ele é o menos diferente).

Minha opinião? Bizarro. É uma HQ em que você pode esperar qualquer coisa. Desde vilões, como um cérebro falante e um gorila que fala francês — apaixonado pelo cérebro (!?) —, Satan, que fica chateado quando o criticam por sua cantoria, até uma edição inteira de Rebis fazendo sexo consigo mesmx.

Porém, o que mais chama atenção são os heróis. Estamos acostumados aos superpoderosos, belos e com boa presença. Mas a Patrulha não: eles têm problemas que, caso existissem super-heróis, com certeza muitos teriam. Como perder o corpo num acidente e ser transformado num robô, mas mesmo assim sentir a amputação corpórea e ter “dores fantasmas”. Ser esquizofrênico mesmo tendo poderes ou ser hermafrodita com habilidades que surgiram da fusão de um homem branco e uma mulher negra.

Em suma, considero essa HQ mais “humanizada”, na medida do possível. Se você fosse um herói, seria super rico como o Batman ou Homem de Ferro? Seria perfeito como Superman e Capitão América? Ou seria só uma pessoa com cara de macaco e habilidades primatas?

Não é uma HQ que vai quebrar paradigmas, te fazer pensar sobre a vida e a morte ou mudar seu dia a dia. Porém, é uma HQ que não trata somente de assuntos convencionais ao mundo dos heróis e sim tenta trazer algo de novo.

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Davis Plassa, 21 anos, futuro engenheiro, paulistano. Amante de Kung Fu, quadrinhos e futebol. Sonha em mudar o mundo.

green lanter vol. 2 #85

por Davis Plassa

Lanterna Verde
Ano de criação: 1959
Criadores: John Broome e Gil Kane
Editora: DC
Nome da HQ: Green Lantern Vol. 2 #85 (1971)
Escritor e Desenhista: Dennis O’Neil e Neal Adams

Junto com as edições de Amazing Spider-Man 96 a 98, esta foi a primeira abordagem do assunto “drogas” numa HQ.

Denis O’Neil e Neal Adams começaram este run nos quadrinhos do Lanterna Verde para abordar assuntos socialmente relevantes. Com este trabalho, conseguiram derrubar barreiras de assuntos considerados tabu dentro das revistinhas.

Também foi a primeira vez em que um herói de HQ virou dependente de drogas. Os autores da edição chegaram a receber uma carta do prefeito de Nova York à época, John Lindsay, parabenizando a equipe criativa pela relevância do conto para a juventude do país.

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David Plassa, 21 anos, futuro engenheiro, paulistano. Amante de Kung Fu, quadrinhos e futebol. Sonha em mudar o mundo.