promessa cumprida

por Nicollas Conti*

Ah, meu velho amigo
Estivera sempre
Comigo.
Havia em toda manhã
Ao avistar-te
Mente mais sã.
Aquela segunda chance
Que só você nos dá
O alcance.
De você espero mais nada
Apenas que volte
Pós-madrugada.
Não que arfe com sua beleza nua
Mas não me venha com nuvens
Nem lua.
Pesar daqueles que não te enxergam
Ainda não viveram a vida
Que levam.
Pesar de mim que te quero
Enquanto me desfaz
Com esmero.
Peço apenas que morte
Seja como o seu
Brilho forte.
Apenas cumpra sua promessa
Deixe-me vê-lo pela manhã
Quando eu partir dessa.
(clarão)

“Ao velho, ao jovem
Que pela Terra se movem
O Sol surgiu.
Todo rico, todo pobre
Saberá que a promessa nobre
O Sol cumpriu.”

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

sobre o que se trata

por Nicollas Conti*

Prove tudo
Prove a todos
Que você é melhor que eles
(E que, no fundo,
Você não é ninguém)

Identifique a si mesmo
(No dinheiro)
Venda (a alma) por reconhecimento
O ego levará sua visão
(Para o caixão)
Fecharemos o buraco com cimento
(No fundo sempre foi um lugar vazio)

Esperamos que venha tenha
Dinheiro para sempre!
E quando não houver mais frente
Você olhe para trás, e perceba,
Que, no fundo,
Isso (nunca) importou.

(A sala vazia,
a casa fechada,
as faces tão frias
quanto a mobília empoeira.
Parece que não era sobre acúmulo, no fim das contas)

— Ele era um grande homem.

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

esquecido

por Nicollas Conti*

Era em uma cama branca de hospital
Ele lembrava que era só isso que sabia
Era por causa do Alzheimer, o tal do mal
E pouco a pouco sua vida se esvaía

Sua mente estava branca como o branco ao redor
Seu coração estava brando como a falta do amor
Suas memórias — um fardo solto em algum canto
Suas lembranças — um nada escorrido em prantos

Ao ver-se no espelho, encarou sua alma
Ele era muito mais do que uma superfície enrugada
Pois todo humano nasce perdido no universo
E daquele espelho, ele só queria a si mesmo

Aos poucos, flashes vinham à sua mente
Um sorriso, uma música, uma noite inacabada
Uma voz “para todo o sempre”
Dita debaixo de uma noite estrelada

A porta abre — ele finge-se dormindo
Ela entra e beija sua testa
— Para todo o sempre, meu querido
A dona de sua memória — lá estava ela.

Com medo de estar sonhando, seus olhos estão fechados
Tem o coração pulsando, é de novo um jovem apaixonado
E nem se dá conta quando ela vai embora
Ele sonha os sonhos dos cegos de memória

Acorda em uma cama branca de hospital
lembrava que era só isso que sabia
“Onde está minha vida, afinal?”
Ele perguntou por isso todos os dias.

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

humano apesar de tudo

por Nicollas Conti*

Desde que te conheci
Recebi flores, e algumas dores
Que eu nunca vi
Passaram a me conhecer

Nem de perto era tão lindo
Mas éramos limpos
Nem preto nem branco, você dizia
Éramos cinzas no campo

Precisei queimar os olhos no sol
Para ver tudo esclarecer
Você queria enxergar, eu queria saber
Onde suas flores se encaixavam

Quando não se vê, você vê
E eu a vi extasiada
Matando um rato a pauladas, como sonhos
Humana apesar de tudo

A noite subia, eu me dizia
Não há nada para esquecer
Me ensinou muito mais do que podia aprender
Eu era, em todo canto, você

Vi que as dores ensinam, as flores espetam
E quando me deixou não houve espanto
Nada era preto, nada era branco.
Tudo era muito cinza.

Isso foi há muito tempo
Nem sei se ainda me lembro
Se você chegou mesmo a nascer
Ou se muito foi um sonho
Que eu quis fazer acontecer

Sei que eu sentiria tudo de novo.
Minhas dores estão em um vaso
Minhas flores, em pleno voo
Afinal sou mais que um velho gago.
Sou mais que um velho louco.

Humano apesar de tudo.

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

o apagador de humanos

por Nicollas Conti*

Vou lhe dizer, filho,
Quando nós deixamos de viver
É um caso triste, obscuro
Algo que você não vai querer
*
Não é quando nós perdemos um amigo
Não é quando nos sentimos sem abrigo
E vou lhe dizer, filho,
Não é quando estamos prestes a morrer.
Quero que você saiba que
Não é quando perdemos a vida
Que deixamos de viver.
*
Você pode perder um braço
Pode perder as duas pernas:
Segue-se com sua vivacidade
Mas no momento em que tiram sua
Humanidade
Viver não é mais pra você.
*
O que mata os humanos
E não os permite morrer
É olhar nos seus olhos
Diante da miséria, corrupção e desigualdade
E dizer
“Não há nada que você possa fazer.”.

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

constelação

por Nicollas Conti*

Vejam só aqueles pássaros brilhantes
Voam, brincam e dão rasantes
Quisera seu Zé ir tão distante
Mas Oh! Vejam só!
São apenas mísseis de longo alcance

Vejam Só! O Brilho do luar
Que seu Zé observa do quinto andar
E quanto mais o elevador sobe
Mais frustram seus olhos nobres
O brilho é mais outra bomba nuclear

Mas a Zé, as nuvens sempre foram encanto
Em seu céu abria-se esse manto
Ele podia sonhar,
Em seu âmago,
Crianças que não morriam em prantos

Vejam só! A nova fase lunar
Noite adentro o fogo vem queimar
Uma nova estrela debate-se no chão

As queimaduras alastram-se ao mar!
Bem onde o homem quer passar
Onde bombas brilham em constelação.

Seu zé fecha os olhos. Sonha com o sempre.

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*Nicollas Conti é rico, bem-sucedido, feliz e acima de tudo, mentiroso. Mas acha que essa é a principal característica de um poeta. Ensina desenvolvimento pessoal para as pessoas, e é quem mais aprende com isso. Tem uma insaciável curiosidade acerca do universo, tanto o de fora quanto o de dentro. Gosta de filhotes de morcego e açaí na tigela. Nicollas escreve toda segunda-feira.

sobre a liberdade

(sobre = em cima de)

por Nicollas Conti

Não me dê Liberdade
Deixe-me por minha sorte
Tal como eu, você sabe
A única liberdade é a morte

Você é preso em opiniões
Do útero à maturidade
Quando já engasga em convicções
Sai semeando sua insanidade

Você é réplica de sua geração
Não compreende o olhar passado
Tal como ele não enxerga à frente
E assim o ciclo é replicado

Você é um corpo encarcerado
Preso na busca de reconhecimento
Não há beleza, fama ou estrago
Que vá amortizar seu sofrimento

Há a prisão das palavras,
Das emoções, da cultura;
Mais do que tudo, a prisão da alma,
Que a tudo perdura.

Escolha bem suas sinas
Aceite sua calamidade
Veja só, as minhas são as rimas
E a eterna fuga da liberdade.