caus

por Elle*

Minha bagunça interna
Transcendeu
Tornou-se externa
Enlouqueceu

A mesa lotada de papel
Boletos, folhetos
A mente lotada de confusão
Momentos, livretos

A abolida escravidão
Se torna recorrente
Aprisionada por pensamentos
E travada com correntes

Correntes essas imaginárias
Contraditórias e ilusórias
Onde a mente corre livre
Até sentir o peso da bola de cimento

Na busca dos cifrões
Vestimos voluntários
Aqueles grilhões
E nos tornamos solitários

A guerra do operário
Com o horário
Com o salário
Querendo viver tudo ao contrário

O que se tem são prisões
de alma
Onde o carcereiro
é o dinheiro (ou a falta)

_____

A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

hold on

por Elle*

Segura o barulho
Dessa mente perturbada
Sai do escuro
Cai na realidade

A claridade chega
Feito um tapa na cara
E a sanidade
Por pouco não escapa

Vem me dar uma dose de veneno
Vem, e me dá uma dose de veneno
Veio e deu, uma dose de veneno

Um gesto pequeno
Desse amor escaleno
Um olhar sereno
Ah, se esse moreno
Gostasse de me gostar

Puxo como um trago
Vem doce como favo
Mais rápido e temporário
Vai e deixa o amargo

Então procuro por outro trago
Esse não é doce
Tampouco rude
Encho o peito
Expiro plenitude

Mais leve, pude, enxergar
Fazer a chave virar
Mudar os planos
E entender

Que só vem pra brincar
E deixar o ego encher
E que só vai passar
Quando eu me abster

Tipo alcoólatra com álcool
Chocólatra com chocolate
Tipo cocaína, heroína, cafeína
Você é um vicio, estrupício
Saiu e me deixou à beira do precipício

Então, mesmo que o desejo
De permanecer seja obsceno
A veracidade do lampejo, me obriga
Me vou moreno.

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Elle*

Olha, meu bem.

“Dizem que os filhos mais velhos são os mais parecidos com os pais.”

Nota, quantas coisas têm pra mim.
Nota, quantas coisas têm pra ti.
Quantas coisas temos em comum.
Veja um pouco além das diferenças.

Sou você
Você sou eu
Somos um
e isso
É bom ou é ruim?

Atente-se no quanto nossos hábitos são semelhantes
quantas coisas você pode listar?

Teus cabelos
Teus olhos
Suas cores
Seus amores

Me vejo nos teus gostos
Nos teus sonhos
Nos meus jeitos
Tanto jeito igual
De falar
De brigar
De amar

Tudo de muito.
Das mãos inquietas
Dos gritos altos
Da fala afobada.

Quem vê cara não vê coração.
Tu és puro coração
Não se envenene
Me envenena.

Nem leve
Nem serena
Tão amargo
Tanta mágoa.
Mágoa, magoa.

A vida não é lagoa
É rio, é mar, é oceano.
Água parada
Dá dengue,
Chikungunya
Dá zika.

A vida é sempre em frente
Tá tudo no futuro
Tua vida não tá decidida
Nem aos 22
Nem aos 44
Tem muito mundo,
Tem muito, tem pra mim, tem pra ti

Percebe só que engraçado,
Essa gente engomada,
Que sabe tanto do saber,
Se acha conhecedor de tudo.

Já Sócrates, que dedicou a vida ao pensamento,
E depois de tanto pensar, concluiu,
“Só sei que nada sei”

Somos parcelas de infinitos saberes.
Tu sabes de brinquedos
Tu sabes de cuidados
Tu sabes de segurança
Tu sabes de criança

Sabe também de esperança,
Mesmo quando finge que ela acabou.
Não acabou.
Diminuiu, confesso

O medo é impresso na face
Mas quantas vezes você teve medo?
Se foram 10, você enfrentou 11.
Eu sei, por muitas eu estava ali.
Essa foi mais uma

Pois se foi
Pois passou
Incrível tempestade
Mas vai brilhar o sol

Eu me cobro
Me culpo
Me insulto
O suficiente

Preciso que me puxe
Preciso que me diga o quanto sou boa
Pois já me diminuo
E me acho pouca bosta.

Não ache que estou à toa
Indo pra onde o vento sopra
Tenho minha direção
Mas me falta combustível
Sou movida a paixão
E sei que tu também

Por hora
Só quero tua esperança
E tua confiança
Pois se confiar
Acreditaria
Apoiar
Consigo acreditar
E finalmente
Fazer-te se orgulhar

Quero a reciprocidade
Não quero só apoio
Também quero ser suporte
Tipo jogadas táticas
Jogadores em suas bases
Cada um em sua fase
E todos no objetivo
De um bem em comum.

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Elle*

Vamos destruir o asfalto
E deixar dominar o mato
Vamos desconstruir as favelas
E atirar porcos nas celas

Os felas que governam meu país
Chegam apontando o dedo
Distribuindo uma par de medos
Enquanto pegam o tesouro nacional
E depositam em algum paraíso fiscal

Arrancando de muitos
Para distribuir entre poucos
Famoso, elegante e de terno
Apresento o Robin Hood moderno

Engomado e engravatado
Mais parece o diabo
O que faz e tem assinado
Planos e truques
Pra não ser encarcerado

Vamos botar abaixo o planalto
Vamos encher o pulmão e gritar alto
FORA TEMER! DIRETAS JÁ!
Vamos à luta, à disputa
E diz PUTA!

Call me puta e absoluta
Que recatada e do lar
Pra mim não vai funcionar
Eu quero é botar pra foder
E ver seu rosto estremecer

Então vem
Me chama de hippie
Que pra você ostento
Meu bom drink

No seu castelo de papel
Vou jogar meu coquetel
De molotov
Aí você vai ver que
Aqui não é Só Love!

E tem quem diga
Que o problema do país
É irresoluto
PUTO!

“A corrupção vem de outra geração”
“O sistema é antigo”
“Só funciona se tiver propina”

Como se o povo não tivesse problema
A falta de educação, encarcera a nação
A falta do hospitais, reduz a população
A falta de oficiais, livres de preconceito

A intolerância é enraizada
E a hostilidade não leva a nada
Só cria mais gente revoltada

Agora, Bolsonaro venerado?
Isso só pode estar errado.
“Ah.. Então vou votar em branco”
Daqui da pra sentir o solavanco

Pra sua falta de opção
Na hora da eleição
Pra falta de candidato transparente
Vamos ser no mínimo coerentes

ANTES DE VOTAR NUMA MULA
PEGA SEU VOTO E ANULA!

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

sem petulância

por Elle*

Que tipo de amor seria esse se eu fechasse a cara?
Que tipo de amor seria esse meu?

Então me diz, que está feliz
Então me diz, que é o que sempre quis

E vou responder, sem amarguecer
É bom ver florescer amor em ti

Mesmo que o amor não seja meu
Mesmo que o amor não seja eu

Então confirmo, e reafirmo
Meu amor é livre, pra ir e vir
Pra nascer em qualquer canto
Pra florescer em qualquer coração

Mesmo que o amor não seja meu
Mesmo que o amor não seja eu

Vou responder, sem endurecer
Que é bom ver paixão assim

Que vai e volta
Que entra e transborda

Que tipo de amor teria eu, se fechasse a cara?
Que tipo de amor seria eu, ja que não sou seu?

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

espelho

por Elle*

Havia uma menina
Que no amor acreditava
Sua vida foi tomada
Por uma obsessão sem escala

Ela rodou o mundo
E achou que o amor
Era lenda de pescador
Que não existia
Ou só causava dor

Ela, com essa mania de masoquista
Achando que a dor acabaria
Aguentou calada
todo tipo de cilada

E depois de tanta dor
Um amanhecer rosado
Trouxe à tona uma verdade

A realidade inventada
A veracidade esplanada
Amor não é dor
Nem aguentar calada

Amor é dizer
O que quer
O que tem que ser

Amor é esquecer
Tudo que já fez doer

Amor é espelho
Enxergar o reflexo
Mesmo que sem nexo

O verdadeiro amor da menina
Morava em seu espelho
Não em alguma esquina

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que *Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Elle

Aurora
“Ela só vai”
Pensa e
Se joga no mundo
Com um medo absurdo
“Ela teme”
Pensa e
Primeiramente fora Temer
Segundamente primeiramente
Me deixo guiar consciente
Um tanto exigente
Não basta persuasão
Não basta a razão
Esqueço voluntária
Da vontade involuntária
De ter por perto você
E meto
Pés pelas mãos
Mãos por pés
Ideias na cabeça
Mirabolantes e viajantes
Pode até parecer inconsequente
Mas vale o risco
A noite se transforma em dia
O dia se transforma em noite
Com o sol vem a notícia
Eu não morri
Sobrevivi, vivi
VIVA!
Eu gosto dessa parada
De ser descompromissada
Com um monte de compromissos
Na maioria inesperados
De ser atiçada
E viver virada
Mas meu sono não ser omisso
Do olhar safado
E ver o sol nascer
Acabando o dia
O amanhecer
A aurora do meu dia noite
Dormir com sol batendo na janela
A claridade por cada fresta
Gosto do nariz na nuca
Da barba que roça
Arrepia
Do calor nas coxas
De arrancar a roupa
Daquela voz rouca
Que faz ecoar meu nome
O que não gosto é do tempo
Que sempre parece curto demais
E acabamos amando como animais
Esse pequeno revés
Que me deixa com os cabelos de pé
Minha ansiedade que consome
Que nunca passa essa fome
E parece que nunca dorme
Doze
Vinte e quatro
Trinta e duas
Quarenta e oito
Horas
Que nunca parecem suficiente
Passam como um vento
Mas me contento
Como um vira-lata
Quando ganha as sobras
E lança o olhar de criatura grata
Não que eu goste das sobras
Nem do que resta
Gosto do que presta
E como gosto…

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.