maldito caráter

por Caê Jansen*

Não tomo participação
Em arrependimentos alheios
Mesmo que por omissão
Coleciono os meus próprios

Reprimo o instinto
Que devo viver,
Será que o momento
Logo irá morrer?

Leio dúvidas
Sem tomar vantagem
E assim formo quem sou
Definindo caráter
Mesmo que pra isso
Renegue o que quero
E parece feito pra mim

Fiz o certo?
A cabeça diz que sim
Mas o resto…
GRITA QUE NÃO

Ah, imoral ambiguidade

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

extra!

por Caê Jansen*

EXTRA! EXTRA!
É proibido
O amor entre transeuntes
Que os passageiros saibam
Toda demonstração de carinho
Nesse transatlântico quase submerso
Traz consigo
Fraqueza, medo, inseguranças

Ainda lambendo as feridas
Que o passado cravou na carne
Ignorou os sinais
Que estava ao lado
E assim foi ignorando a si
Castigando o corpo
Com doses homeopáticas da pele
Quando o querer é mergulhar em sincronia
Deixar o corpo levar
Desligar a cabeça e apenas sentir

EXTRA!! EXTRA!!
É terminantemente proibido
Deixar de viver

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

[…]

por Caê Jansen*

Com olhos de observador
Busco enxergar a verdade
Não aquela falsa verdade falada
Que ao cuspir palavras de negação
Tenta talvez enganar até a si
Porém, afirma uma dor escondida
Masoquismo insaciável

Em seus olhos, feridas se mostram abertas
Desejo de trocar de lugar
Do público afeto que nunca provou
Enquanto persegue
Aquilo que quer e a machuca

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

[…]

por Caê Jansen*

A duras penas o passado
Carregou o presente
E acabou com o futuro

Entre medo e alucinações
Habita perdido no tempo
Sem saber se vive
Hoje, amanhã ou ontem

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

[…]

por Caê Jansen*

Suor que escorre
Olhos virados
Peles em contato
Seu leve gemido
Adentra meus ouvidos
Com efeito afrodisíaco
Perco a cabeça
Em meio às suas pernas
Dois discos do Pink Floyd se vão
E não quero parar de beijar
Seus lábios
Os pequenos e os grandes
Atraem minha língua
Sem noção de tempo
Só quero estar em você
Lhe ver se desfazer em prazer
Admirar seus espasmos
Lhe ver se contorcer
Para depois do êxtase
Deixar meu melhor
E seguir meu caminho

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

[…]

por Caê Jansen*

Passos cautelosos
Sempre levam
A lugares monótonos
Se não estamos em movimento
Tudo em nossa volta
Repentinamente para

Uma voz irritante na cabeça
À procura de guerra ou paz
Atormenta madrugada adentro
Enquanto os sentidos alterados
Perseguem a sobriedade

Movimento é vital para o ser
Nenhum de nós deve estagnar
Quebrar regras é
A real evolução
Caminhos sem pedras
Levam a lugar nenhum

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.

lições

por Caê Jansen*

Aprendi
Os reais
Permanecem
Nos transformam
E transbordam
Um novo eu
E distintas saudades
Pedaços vitais
Do que sou

Corpos são passageiros
Sentimentos, se verdadeiros
São para sempre
Cada amor
Em sua mais distinta forma
Aflora em solo fértil
E cresce enquanto pode
Há beleza nas lições
E dor nos finais
Mas o que é mútuo e verdadeiro
Pra sempre permanece
Mesmo que pra sempre em saudade

Valorize e aprenda com o passado
Aprenda a confiar novamente no futuro
Acima de tudo, viva no presente
O hoje é nossa única certeza
E são em pequenas frações do tempo que podemos encontrar nossas razões
A vida ainda vale ser vivida
Revolução interna é o único caminho para a verdadeira liberdade
Aprenda a quebrar suas correntes, não se submeta a suas autoridades internas
E aprenda: alguém só é completo se conhece o que é amar

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*Caê Jansen esteve sempre muito insatisfeito. Com seus empregos e limitações. Com o mundo. Busca controlar o ego e os pensamentos mais sombrios. Para isso, mergulhou de cabeça na escrita e na música. Tem na educação social sua ferramenta para tentar transformar o mundo. O coletivo lhe agrada, o psicodélico lhe atrai. Não tem formação, nem formatação. Ama arte. Caê escreve às terças.