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por Izabela Souza*

Não mantenha pessoas inocentemente nocivas na sua vida.
Não mantenha pessoas inocentemente nocivas na sua vida.
Não mantenha pessoas inocentemente nocivas na sua vida.
Não mantenha pessoas inocentemente nocivas na sua vida.
Não mantenha pessoas inocentemente nocivas na sua vida.

Porque, por serem inocentes, elas não sabem como parar.

Aprenda a dizer não para se manter sã.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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por Izabela Souza*

O dia em que descobri que não sou negra, não foi alguém que me contou

Eu vivi

Eu acordei e percebi: eu não sou negra, ainda que eu seja.

Lida como exótica, diversa, brasileira

Não negra

Talvez mista, nem branca…

… nem negra

Foi do alto do privilégio europeu

E entre reflexões africanas

Foi dentro de rodas e idas aos supermercados

Eu não sou mais lida como negra

Eu não sofro preconceito por ser negra

Ainda que eu seja e que toda minha negritude viva em mim

Ainda que eu não sinta a minha identidade refletida entre vocês, e eu não pareço vocês

Eu descobri que não sou negra, para vocês.

Eu sou negra por e para mim

Porque negra não é o que eu sempre fui, apenas, mas uma das definições que me orgulham ser.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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por Izabela Souza*

Sinto nada.

Nem um arranhão.

Ainda que eu tente sentir mais que o vazio, que as preocupações e perspectivas além da ansiedade, sinto nada.

Lamentarei sempre meu não sentir.

Todos vêem em mim e esperam de mim coisas que não estou certa de que posso oferecer, uma vez que não sinto que sou quem acham que eu seja.

Eu não sinto que sou ruim, nem boa.

Não me sinto errada, nem certa.

E se pudesse sentir, certamente seria a hipocrisia que me preencheria, inata ao ser humano.

Eu estaria feliz em senti-la.

Em sentir-me.

Humana, no significado da palavra.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Izabela Souza*

O sol bate no meu olho após dias difíceis, mas eu ainda estou aqui.

O futuro ainda não posso visualizar, mas eu estou aqui.

No presente.

Às 16h56 num vôo de Recife a São Paulo.

Com todos os órgãos funcionando.

Admirando o sol pela janela enquanto escrevo.

Sorrindo, ainda que lembre dos dias difíceis.

Porque estes passaram, assim como outros passarão, enquanto eu ainda estou aqui.

Um aqui de resistência, aprendizado, fortalecimento. Sem localização geográfica, sem check ins. Meu aqui particular e personalizado.

Eu não sei quanto tempo meu aqui durará. Talvez seja mais breve do que eu tenho em mente. Talvez dure uma fração da estimativa de vida da mulher preta brasileira. Talvez o vôo caia. Talvez eu seja bisavó e faça pães de queijo vegano para os bisnetes.

Mais importante que a duração do aqui é como eu ajo neste tempo-espaço.

Eu sento e observo o correr das pessoas e do tempo no avião. São 17h02 e ainda nada aconteceu. Em 2h40 chegaremos a São Paulo e haverá movimentação. Showtime! Em 1h00 servirão lanche e água. Showtime! Em 30 minutos, provavelmente, cochilarei. Showtime — a hora do show é agir com respeito a nós, ao mundo e com consciência.

Quando será o seu showtime no seu tempo-espaço?

São 17h05.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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por Izabela Souza*

Eu não consigo ser apolítica.

Ainda que eu ignore Temer, Dória, Lula e Dilma

Ainda que eu decida não votar

Não discutir políticas públicas

Ignorar o que eu posso elogiar e o que eu posso criticar construtivamente

Meu corte de cabelo diz quem eu sou

As minhas roupas representam minhas escolhas

Onde eu moro sou eu

Quem está ao meu lado ou em cima de mim é conivente com o meu eu

E sou tudo isso, ainda que muitos só vejam estereótipos

E pelos, e ossos, e pele

“Cuidado, cuidado, se não você dança!”

E eu sou tudo isso, ao mesmo tempo que sou só mais um ponto da imensidão

E eu poderia ser nada e ainda assim eu seria algo

Tão único que só existir já é ser política

E eu sou

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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por Izabela Souza

Os adultos não são grandes.

Não grandes pessoas.

Eles apenas cresceram mais do que a gente e, com isso, acreditaram ter vivido mais e terem mais poder.

Mas quem passa os anos em si mesmo viveu mais que quem?

Quem passa os anos mandando em gente tem poder sobre o quê?

Eles comemoram aniversários em bares, bebendo todas e celebrando festas que só existem para o ego: a festa deles. E só entre eles. Não qualquer adulto, um grupo seleto.

Perdidos neles mesmos, entre canções de autodestruição e remédios desnecessários, eles decidem sobre a vida de todos, ainda que não consigam resolver a deles. Ainda que tenham destruído o mundo.

Eles mandam tanto um nos outros que esquecem que eles não podem mandar em tudo: nem na natureza, nem nas crianças, nem no tempo. Por isso que todos estes atuam pelas forças de si próprios. Eles não precisam mandar no outro ou dominar o ego: eles precisam um dos outros, da cooperação, do afeto.

Os adultos cresceram mais. São mais altos. Mas de coração, mente e alma, todos os outros entendem bem mais que esses otários.