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por Izabela Souza*

Sinto nada.

Nem um arranhão.

Ainda que eu tente sentir mais que o vazio, que as preocupações e perspectivas além da ansiedade, sinto nada.

Lamentarei sempre meu não sentir.

Todos vêem em mim e esperam de mim coisas que não estou certa de que posso oferecer, uma vez que não sinto que sou quem acham que eu seja.

Eu não sinto que sou ruim, nem boa.

Não me sinto errada, nem certa.

E se pudesse sentir, certamente seria a hipocrisia que me preencheria, inata ao ser humano.

Eu estaria feliz em senti-la.

Em sentir-me.

Humana, no significado da palavra.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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por Izabela Souza*

O sol bate no meu olho após dias difíceis, mas eu ainda estou aqui.

O futuro ainda não posso visualizar, mas eu estou aqui.

No presente.

Às 16h56 num vôo de Recife a São Paulo.

Com todos os órgãos funcionando.

Admirando o sol pela janela enquanto escrevo.

Sorrindo, ainda que lembre dos dias difíceis.

Porque estes passaram, assim como outros passarão, enquanto eu ainda estou aqui.

Um aqui de resistência, aprendizado, fortalecimento. Sem localização geográfica, sem check ins. Meu aqui particular e personalizado.

Eu não sei quanto tempo meu aqui durará. Talvez seja mais breve do que eu tenho em mente. Talvez dure uma fração da estimativa de vida da mulher preta brasileira. Talvez o vôo caia. Talvez eu seja bisavó e faça pães de queijo vegano para os bisnetes.

Mais importante que a duração do aqui é como eu ajo neste tempo-espaço.

Eu sento e observo o correr das pessoas e do tempo no avião. São 17h02 e ainda nada aconteceu. Em 2h40 chegaremos a São Paulo e haverá movimentação. Showtime! Em 1h00 servirão lanche e água. Showtime! Em 30 minutos, provavelmente, cochilarei. Showtime — a hora do show é agir com respeito a nós, ao mundo e com consciência.

Quando será o seu showtime no seu tempo-espaço?

São 17h05.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Izabela Souza*

Eu não consigo ser apolítica.

Ainda que eu ignore Temer, Dória, Lula e Dilma

Ainda que eu decida não votar

Não discutir políticas públicas

Ignorar o que eu posso elogiar e o que eu posso criticar construtivamente

Meu corte de cabelo diz quem eu sou

As minhas roupas representam minhas escolhas

Onde eu moro sou eu

Quem está ao meu lado ou em cima de mim é conivente com o meu eu

E sou tudo isso, ainda que muitos só vejam estereótipos

E pelos, e ossos, e pele

“Cuidado, cuidado, se não você dança!”

E eu sou tudo isso, ao mesmo tempo que sou só mais um ponto da imensidão

E eu poderia ser nada e ainda assim eu seria algo

Tão único que só existir já é ser política

E eu sou

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

[…]

por Izabela Souza

Os adultos não são grandes.

Não grandes pessoas.

Eles apenas cresceram mais do que a gente e, com isso, acreditaram ter vivido mais e terem mais poder.

Mas quem passa os anos em si mesmo viveu mais que quem?

Quem passa os anos mandando em gente tem poder sobre o quê?

Eles comemoram aniversários em bares, bebendo todas e celebrando festas que só existem para o ego: a festa deles. E só entre eles. Não qualquer adulto, um grupo seleto.

Perdidos neles mesmos, entre canções de autodestruição e remédios desnecessários, eles decidem sobre a vida de todos, ainda que não consigam resolver a deles. Ainda que tenham destruído o mundo.

Eles mandam tanto um nos outros que esquecem que eles não podem mandar em tudo: nem na natureza, nem nas crianças, nem no tempo. Por isso que todos estes atuam pelas forças de si próprios. Eles não precisam mandar no outro ou dominar o ego: eles precisam um dos outros, da cooperação, do afeto.

Os adultos cresceram mais. São mais altos. Mas de coração, mente e alma, todos os outros entendem bem mais que esses otários.

[…]

por Izabela Souza

Será que somos vítimas das nossas mentes?
Pensamentos que temos, criamos e alimentamos.
Todos os dias. A nossa mente.
Inspirando sentimentos, alucinações, variações de uma ou a possível realidade.

Você já se perguntou se está ficando louca?
Você já se pegou pensando algo socialmente inaceitável?
Como um depressivo pensando em suicídio
Mesmo que nunca nos joguemos do prédio, na linha de trem, na Fernão Dias.

E se somos a nossa mente, isso não nos faz opressor e oprimido?
Qual é a nossa relação com a nossa mente?
Não tenho respostas, mal tenho questões.
Por dentro é tudo silencioso, como a sociedade não aceita.

[…]

por Izabela Souza

Não foram as mãos que ofereceram ajuda. Nem os olhos que demonstravam afeto.

Certamente não foi a boca que entoou cânticos célebres sobre um mundo melhor.

Foi apenas o coração. Generoso, altruísta, coração. Dentro de um corpo humano apenas para que ele seja o motivo de êxtase de outro corpo humano.

Foi o coração que insistiu em bater para ajudar os que estão querendo desistir da luta.

[…]

por Izabela Souza

Love is in the air e é dia dos namorados. Muita gente reclama de estar sozinha, outros mesmo namorando estão sozinhos. A solidão não é por estar com alguém ou não, parte de você.

É comum em qualquer tipo de relacionamento projetarmos uma imagem idealizada do outro baseada em comportamentos que admiramos ou cremos serem benéficos. Isso não é gostar — e olhe, pode se tornar abusivo.

Um relacionamento abusivo nem sempre é um bater no outro. Há outros tipos de ferimentos. É você querer ditar o que a pessoa pode ou não fazer, muitas vezes com o pretexto de que você não gostará mais ou tanto dela. É você achar e tratar a pessoa como posse. Zombar dos sentimentos dela. Falar das roupas que, para você, podem não ser apropriadas, mas para ela sim. É ter ciúme de todos os amigos e ficar vigiando conversas. Se você faz isso, olhe para si e pense nos motivos do seu comportamento. Se você passa por isso, bem, você não precisa.

É fato que devemos sempre dar amor, a questão é que nem todos estão dispostos a receber. E bem, quando a pessoa não está disposta a receber não há o que ser feito. Não é sua missão insistir em algo que não é saudável, mas sim procurar relacionamentos que são. Você merece o melhor tratamento. Compreensão. Carinho. Respeito. Ser aceito como é e pelo que faz. E se alguém não te trata da melhor forma possível, não zela, não cuida e principalmente, aprisiona, saia. Vá ter o melhor dia dos namorados da sua vida, mesmo que seja consigo mesmo. Qualquer tratamento sem respeito não é gostar, é apego. Gostar é quando você aceita o pacote completo do outro nos melhores e piores momentos, quando você não faz uma sucessão de erros e acha que um simples “desculpa” muda tudo — e não a alteração das suas práticas. Gostar é respirar fundo e tratar bem mesmo quando você acha que o outro está equivocado. É tentar fazer rir quando você sabe que a pessoa está chateada. É ouvir quando ela quer desabafar e também é nunca julgar. Nunca fazer com que a pessoa se sinta intimidada com você, mas sim acolhida. É ser a melhor pessoa. Conquistar a cada dia.

Se no seu relacionamento atual você mais chora do que sorri, e isso serve para todos os tipos de relacionamento, talvez seja a hora de se curtir mais. Sabe qual relacionamento vai te preencher? Vai te fazer transbordar? O consigo mesmo. Porque cada pessoa é maravilhosa. Não aceite menos que um tratamento que te lembre sempre disso. Não aceite nada que te diminua.

Sozinho ou acompanhado, no dia dos namorados e em todos os outros, seja seu date. Seja a pessoa que vai te tratar da melhor forma possível. E que só fique quem estiver disposto a fazer o mesmo.