[…]

por Gabriel Fogal*

O inverno chega
Todo final de semana
Contando histórias
Sobre sentimentos quebrados
Os quais eu não consigo
Compreender a poesia

Você deveria me mostrar
O caminho da madrugada
Turva como nossas visões
Depois do consumo
De especiarias e fermentados
Duvidosos e inadequados

Com seus olhares e lábios
Dos anos oitenta
Você conquistou espaço
Em todos meus pensamentos

Já é inverno no sábado
E de manhã, o gosto do seu amor
Fica entre os dentes
Quando você sai do meu lado

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*Gabriel Fogal não sabe bem o que escrever aqui. Fez xixi na cama até o dia 17 de maio de 1997. Tenta ser escritor quando toma açaí ou cerveja e estuda psicologia de madrugada. Gostaria de viajar a América Latina de fusca e já foi pirata. Fogal escreve quinzenalmente às sextas.

mais 1 domingo à noite

por Gabriel Fogal*

Mais uma história triste
Que contou para dormir
Entre os últimos tragos

Deu boa noite
Para si mesmo no espelho
Esperando que o travesseiro
Engolisse os pesadelos

Mais um pouco de ansiedade
Misturada com anestésicos
Receitados para desesperados

O nó em suas pálpebras
Foi para aliviar
Suas olheiras
Familiares para tantos

Mais uma noite mal dormida
Mais uma manhã linda
Numa rotina cansativa

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*Gabriel Fogal não sabe bem o que escrever aqui. Fez xixi na cama até o dia 17 de maio de 1997. Tenta ser escritor quando toma açaí ou cerveja e estuda psicologia de madrugada. Gostaria de viajar a América Latina de fusca e já foi pirata. Fogal escreve quinzenalmente às sextas.

debutantes

por Gabriel Fogal*

Era de manhã
O sol estava pra nascer
Eu lembro bem
Algumas sombras dançavam
Enquanto caminhávamos
Dissemos que era por causa
Das inconveniências que sofremos
Das que causamos também
Mas sabíamos que tínhamos
Muito a perder, meu caro amigo
Por que abusamos tanto
De nossos corpos? E da
Sorte que nos convém?
Nos tornamos enfim aquilo
Que queríamos
Como que voltamos para onde
Começamos se não estamos
Satisfeitos com o final que tudo indica
A caneta ja não é mais a mesma
Mas a dor da mão sim

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*Gabriel Fogal não sabe bem o que escrever aqui. Fez xixi na cama até o dia 17 de maio de 1997. Tenta ser escritor quando toma açaí ou cerveja e estuda psicologia de madrugada. Gostaria de viajar a América Latina de fusca e já foi pirata. Fogal escreve quinzenalmente às sextas.

o segredo dos nossos contratempos

por Gabriel Fogal

Meu amor
Temos os mesmos
Problemas

Problemas nos lábios
Problemas nos olhos
Problemas que estão tudo bem

Temos muito o que provar
E não ligamos para quem
Temos que provar

Eu lembro, falamos poucas palavras
Mas, você não deixou com que eu
Perdesse minha mente

Alguns sabem o que dizem
Não somos feitos para suportar
Alguns problemas

Temos os mesmos problemas
Meu amor
Sabemos disso

Problemas nos lábios
Problemas nos olhos
Problemas que estão tudo bem

[…]

por Gabriel Fogal

Você me deu
Seus olhos
Todas aquelas histórias
E algumas mentiras
Ninguém estava lá
Enquanto eu
Me afogava no mar

Com o outono
Vem a primeira culpa
Da infância retalhada
Do adulto culpado
Na flama o poeta
Se força a esquecer
O tempo entre os tempos

Procuramos nos divertir
Na terra prometida
E quando as promessas
Acabaram
Sobrou apenas
Os infinitos entre os abismos
De sentir

sobre o tempo

por Gabriel Fogal

Já perdemos o tempo de vista
O sol nasceu e
Não deixamos essa cidade
Tive medo de olha para trás
Uma última vez
Mas incrível como
Meus pés estão leves e
Descalços de qualquer preocupação
Não saberemos se as decisões
Foram escolhidas porventura
Mas lembro bem
meu irmão disse uma vez
Basta estar em casa
Para se sentir amado
Talvez seja culpa do acaso
E seremos aventureiros
Pelo resto dos anos
Não quero saber
Não importa
O tempo foi lento
Mas
já perdemos ele de vista
E não deixamos essa cidade

[…]

por Gabriel Fogal

Meu amigo
Eu estou me desmanchando
E essa nova loucura
Não me faz mal
Quando estou cansado
Quero cair nos braços dela
Mesmo quando ela me implora
Para não cair de sono
Eu realmente não sei
Se aquele último copo batizado
Fez alguma diferença

Meu amigo
Você me conhece melhor do que ninguém
Não temos mais o costume
De cair por nada
Você me ensinou
Algumas boas lições
Faz algum tempo, eu lembro
Achamos que não ia mais acontecer
Nada de novo
São as mesmas manchetes
Nesses últimos tempos
Mas, essa loucura nova
Não me faz mal