[…]

por Diogo Nogue*

São folhas, o vento e o cais.
São folhas, são ventos, são águas.
São mastros, o frio e o cálido.
São pétalas, escárnios e fantasias.
São lágrimas que os olhos assediam.

São belos sonhos irreais,
São belos… Distantes temporais.
São carne e sangue divididos.
São os que não podem ser unidos.

São bocas, beijos e abraços,
São desejos que não serão realizados
São rosas que morrem no armário
São poemas e amores rejeitados.

São folhas que ao vento são levadas
Para as margens das águas salgadas
E nos mastros de um frio navio,
Se leva um cálido coração partido.

São pétalas, são lágrimas…
São todas as coisas que foram deixadas.
Fantasias de dias inesquecíveis
São belos sonhos… Sonhos que não podem ser vividos.

São rosas, beijos e temporais,
São tudo que amei e me distanciam do cais
São tudo que não tenho,
E tudo que eu finjo não querer mais.

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*Diogo Nogue é artista visual, ilustrador e amante da literatura. Nascido em um dia 13 de sorte no ano de 1988. Decidiu que o sentido da vida seria criar arte e literatura e, quem sabe, fazer do meu tempo aqui na terra algo bom, belo e verdadeiro. Segue nessa luta todo dia! Diogo publica toda primeira quarta do mês.

o segundo adeus

por Diogo Nogue*

As lágrimas rolavam
sem eu conseguir conter
segurando meus sussurros
depois do anoitecer

Era o fim de fato
Nós dois seguindo em frente
seguindo a corrente.

Era nosso segundo adeus,
este, talvez, o derradeiro
após confirmar nosso amor
e apontar seu paradeiro…

Não foi mais fácil que o primeiro…
e como o primeiro… veio de repente
parecendo irreal, forasteiro
contradizendo a felicidade presente.

Assim como a noite escura foi meu sol.
Assim como escolhi o deserto ao oásis
Assim como abri mão dos seus beijos,
para agarrar uma antiga miragem.

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*Diogo Nogue é artista visual, ilustrador e amante da literatura. Nascido em um dia 13 de sorte no ano de 1988. Decidiu que o sentido da vida seria criar arte e literatura e, quem sabe, fazer do meu tempo aqui na terra algo bom, belo e verdadeiro. Segue nessa luta todo dia! Diogo publica toda primeira quarta do mês.

abandono

por Diogo Nogue*

Tudo era abandono
Antes de você chegar
Meu coração,
um depósito de sonhos
esperando alguém voltar.

Tudo era melancolia
Antes do seu beijo
Trazer-me a alegria
e no seu abraço
Eu era apenas desejo.

Tudo ficou completo
Quando você chegou
O depósito foi aberto
E meu sonho mudou…

Sua presença me preenchia
Com o calor de estar ao seu lado.
O céu que uma noite escura
Tinha iluminado.

Matou minha angústia
Com o veneno de ser amado
Estancou a solidão
Com o torniquete de um abraço.

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*Diogo Nogue é artista visual, ilustrador e amante da literatura. Nascido em um dia 13 de sorte no ano de 1988. Decidiu que o sentido da vida seria criar arte e literatura e, quem sabe, fazer do meu tempo aqui na terra algo bom, belo e verdadeiro. Segue nessa luta todo dia! Diogo publica toda primeira quarta do mês.

escrevo seu nome

por Diogo Nogue

As palavras morreram
sem dó nem compaixão
trancadas e asfixiadas
em meu coração

Foram alimentadas
com sonhos podres
e pão seco
e com a promessa…

de um doce beijo.

Que nunca veio.

As palavras suplicaram:
Deixe-me sair
para demonstrar o meu amor…
Juro escrever seu nome
Em um grão de flor,
Não me deixe aqui…

Escrevo seu nome num grão de amor.

Mas as palavras morrem
sem dó nem compaixão
trancadas e asfixiadas
em meu coração.

toda alegria tem fim, ao fim do carnaval

por Diogo Nogue

Sim, chega a hora que as máscaras caem.
Que as rosas secam
Que o confete não vai estar mais lá.

Chega a hora em que temos que dizer adeus
O momento de pedir aos céus…
Um pouco mais de tempo.
Um pouco mais de contentamento

Sim, vai chegar a hora que não vou estar com você
Vai chegar a hora que irá me perder.
Não que seja desejo meu,
Não que você desconheça o que perdeu.
Sei que todos nós faremos escolhas
Sei que todos regam suas próprias folhas.

Na quarta caem as máscaras…
Na vida podem cair a qualquer momento
Toda alegria tem fim
Toda mentira também.
Mas nem mesmo a verdade é redentora
Em um mundo de soluções predadoras.

Toda tristeza tem começo
Do fim pouco conheço
E da alegria ninguém sabe quando começa
Mas a todo o momento sente-se ela partindo.