aquele pequeno abismo

por Marcia Dantas*

Então finalmente aconteceu.

Cheguei àquele lugar tão assustador em minha mente. Um abismo que queria me tragar, tão assustador que achei que nunca mais o deixaria. E fiquei sem ar, pensando que aquela seria minha eterna morada. Tinha tentado vencer as barreiras, os demônios e os temores, procurando impedir que acabasse me vendo naquele estado. Mas era como se tudo tivesse se acelerado para o inevitável. E me vi no fundo do poço.

De certa forma foi reconfortante alcançar esse ponto longínquo de minha alma.

Foi bom ter enfrentado o temor de meu próprio abismo. Não porque tenha gostado de tocar essa zona de desespero que me rondava, mas por ter conhecido algo sobre mim que até então era apenas o medo e a hesitação. Eu precisava encarar esse lado de mim e descobrir que, mais do que assustador, era ali que era possível encontrar minha fraqueza. Porque sim, isso é o que mais tenho medo sobre mim mesma: admitir que sou fraca e vulnerável.

Pela primeira vez permiti aceitar minha fraqueza e que não há nada de errado nisso. Posso me expor, sem medo de que tenha algo tão terrível dentro de mim que não possa ser visto ou entendido. Posso apenas ser.

Então descobri que meu abismo não era assim tão apavorante, mas apenas um lado de mim que ainda não conhecia. Precisei cair fundo para entender que nada era tão terrível assim. Só precisava me entender. Só precisava deixar tudo acontecer.

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*Marcia Dantas se orgulha de ser professora de História e escritora, duas áreas que a completam, realizam, desafiam e a fazem militar constantemente. Paulista de coração, não se vê morando em outro lugar, embora precise de um férias da metrópole no momento. Lançou há pouco o seu primeiro livro, Reescrevendo Sonhos, além de estar em vários outros projetos literários. Marcia escreve quinzenalmente aos sábados.

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