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por Izabela Souza*

O dia em que descobri que não sou negra, não foi alguém que me contou

Eu vivi

Eu acordei e percebi: eu não sou negra, ainda que eu seja.

Lida como exótica, diversa, brasileira

Não negra

Talvez mista, nem branca…

… nem negra

Foi do alto do privilégio europeu

E entre reflexões africanas

Foi dentro de rodas e idas aos supermercados

Eu não sou mais lida como negra

Eu não sofro preconceito por ser negra

Ainda que eu seja e que toda minha negritude viva em mim

Ainda que eu não sinta a minha identidade refletida entre vocês, e eu não pareço vocês

Eu descobri que não sou negra, para vocês.

Eu sou negra por e para mim

Porque negra não é o que eu sempre fui, apenas, mas uma das definições que me orgulham ser.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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