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por Izabela Souza*

Sinto nada.

Nem um arranhão.

Ainda que eu tente sentir mais que o vazio, que as preocupações e perspectivas além da ansiedade, sinto nada.

Lamentarei sempre meu não sentir.

Todos vêem em mim e esperam de mim coisas que não estou certa de que posso oferecer, uma vez que não sinto que sou quem acham que eu seja.

Eu não sinto que sou ruim, nem boa.

Não me sinto errada, nem certa.

E se pudesse sentir, certamente seria a hipocrisia que me preencheria, inata ao ser humano.

Eu estaria feliz em senti-la.

Em sentir-me.

Humana, no significado da palavra.

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*Izabela Souza tem formação em Letras e Jornalismo, mas nem liga pra isso. O negócio mesmo é comer “paçoquita”, causar e ser uma agente de transformações sociais por aí. Não há nada que não possamos fazer, certo? Iza escreve quinzenalmente às quartas.

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