avião de papel

por David Plassa*

Depois de tudo o que fiz
Eu posso ser feliz
E isso, não deveria ser uma pergunta?
Advertem-me os demônios
Costurados à pele
Pelos que mais o bem me querem

Depois de tanto atirar-me
Das mais belas paisagens
Sob o desalinho da rebeldia
Depois de tudo
Ainda posso ser feliz
Insisto e não desisto
Pois são as cicatrizes
Que convertem fracassos
Na força imanente do passado

Depois da noite insone
A luz vem para que eu escute
O azul calórico da respiração terrena
Tão minha, quanto ancestral
Tão indiferente, quanto consciente

Para dizer-me:
Você pode ser feliz
Mesmo ao teu lado
Confie-se

_____

*David Plassa saiu em um Fusca verde da maternidade em 1987 e se emociona com dinossauros. Já foi motorista, segurança, vendedor de chocolates, barista, auxiliar de biólogo, livreiro e, quando há estabilidade econômica, jornalista. Premiado ou selecionado para coletâneas de alguns concursos literários, mais ou menos tenta publicar um livro de poesias. David escreve toda quinta-feira.

 

 

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